Comunicações Sociais: Cultura do encontro no ambiente digital quer contrariar a «falta de noção» do tempo passado nas redes sociais

Associação Portuguesa de Escolas Católicas aprovou o manifesto «corações conectados» com propostas para «humanizar» o uso das redes sociais

Lisboa, 18 mai 2026 (Ecclesia) – Alunos de Escolas Católicas assumem a “falta de noção” do tempo passado nas redes sociais e querem humanizar o ambiente digital como lugar de encontro.

Em entrevista emitida no programa Ecclesia, na RTP2, esta segunda-feira, Lara Ximenes, aluna do Externato Frei Luís de Sousa, em Almada, e Bernardo Carvalhas, do Colégio de São João de Brito, em Lisboa, assumem que perdem “demasiado tempo” no ambiente digital e que é “bocado perigoso” assumir como fonte de informação os vídeos difundidos nas redes sociais

“Utilizo muito o Instagram, muitas vezes para conversar com outras pessoas por mensagens, mas não só. Acho que perco um bocado de tempo a ver vídeos… Até costumo ter um limite de tempo nessa parte do Instagram, só que consigo ignorá-lo”, afirmou Bernardo Carvalhas, aluno do ensino secundário.

Lara Ximenes, também aluna do secundário, confirma que utiliza “muitas redes sociais”, nomeadamente para visionamento de vídeos.

“Ao contrário do Bernardo, utilizo mais o TikTok do que o Instagram. Por exemplo, tudo o que eu vejo de notícias, tudo o que se passa mais ou menos ao redor do mundo, é tudo pelo TikTok. Posso dizer que vejo muita pouca televisão”, afirmou a aluna do Externato Frei Luís de Sousa.

“Estou a estudar, vem uma notificação do TikTok e dou por mim… Já passou meia hora, já passou uma hora. Acho que isso é um problema das redes sociais, é a falta de noção do tempo passar. Nós não andamos por ele”, acrescentou Lara Ximenes.

A presença dos alunos nas redes sociais e a sua hiperconexão motivou a Associação Portuguesa de Escolas Católicas (APEC) a analisar o tema numa assembleia de alunos, com o objetivo de “transformar esses espaços digitais em espaços autênticos de encontro”.

Susana Sousa, vogal da direção da APEC e diretora do Colégio do Rosário, no Porto, referiu a necessidade de envolver alunos, docentes e não docentes e pais na reflexão sobre o uso das redes sociais, que se concluiu na aprovação do manifesto “Corações Conectados”, no dia 9 de maio.

Analisar o “impacto das redes sociais nas relações humanas, nas relações pessoais” e refletir sobre como fazer do ambiente digital um “espaço de encontro” foi o objetivo do projeto coordenado por Susana Sousa, com o propósito de criar “espaços de proximidade, de respeito pelo outro, de autenticidade, de verdade”.

“Este Manifesto foi divulgado às Escolas Católicas como proposta. É, na verdade, uma carta de intenções, daquilo que gostaríamos que as escolas concretizassem no seu dia-a-dia”, afirmou a diretora do Colégio do Rosário.

A coordenadora do projeto, que resultou na aprovação do Manifesto “Corações Conectados”, disse que o propósito do documento é sugerir “ações concretas”, adaptadas à “realidade das escolas” e que ajudem à “humanização do digital”.

“A ilusão de estar tão próximo, através das redes sociais, mas, na prática, tão longe, pode ter expressão de outra forma e pode começar nas escolas”, afirmou Susana Sousa, apostando na tentativa de conciliar o ambiente escolar enquanto espaço de “encontro, de proximidade e de formação” com o ambiente digital, que é “uma realidade na escola”.

O manifesto “Corações Conectados” propõe ações em cinco âmbitos para configurar as redes sociais como “lugar de encontro”, fomentar a “solidariedade e o cuidado pelo outro”, promover a “literacia digital e a busca pela verdade”, atuar com “ética, autenticidade e misericórdia digital”, e fomentar “o talento ao serviço do bem comum”.

PR

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