APEC representa Portugal no Comité Europeu do Ensino Católico: Desafios e o Futuro da Educação em Debate nos Países Baixos

A Associação Portuguesa das Escolas Católicas (APEC) marcou presença na mais recente reunião do Comité Europeu do Ensino Católico (CEEC), que decorreu nos dias 17 e 18 de abril de 2026. O encontro reuniu líderes e representantes europeus para debater o futuro, a identidade e os desafios contemporâneos da educação católica na Europa.

A sessão de trabalhos arrancou com as palavras de boas-vindas do Bispo Jan Hendriks da Diocese de Harleem-Amsterdam (onde o Encontro teve lugar), sublinhando este a importância da cooperação intereuropeia das escolas católicas num momento de profundas transformações sociais.

O panorama educativo local esteve em destaque logo no início da agenda, com a apresentação do sistema holandês a cargo da Associação Verus — uma organização que congrega escolas católicas e protestantes. Os dados partilhados apontam para uma rede que conta com mais de 4000 escolas associadas e acolhe mais de 1 milhão de alunos, sendo que 65% a 70% destas instituições são de matriz católica.

Um dos momentos centrais da reunião consistiu na apresentação do resultado dos grupos de trabalho criados para dar resposta às temáticas levantadas na Assembleia Geral de Londres (realizada em outubro de 2025) e que procuraram aprofundar a reflexão em torno dos desafios contemporâneos, da visão da pessoa que a escola católica procura ajudar a promover e construir e da forma de comunicar o ethos da escola católica.

Os representantes europeus, incluindo a APEC, debateram os impactos de diversos fenómenos modernos na educação e na juventude, nomeadamente:

  • A crescente fragmentação social e política;
  • A forte influência dos media e das plataformas digitais;
  • As questões éticas em torno do transhumanismo;
  • As novas expressões de identidade dos jovens;
  • O avanço do secularismo e do individualismo.

Foi deixada a proposta de criação de um mapa europeu detalhado, que permita analisar a forma como a educação católica está enquadrada na legislação nacional de cada um dos Estados-membros. Ficou também patente a necessidade de continuar a fortalecer a educação católica europeia através da reflexão conjunta e sinodal e da colaboração estreita.

Dando resposta a este desejo de cooperação, foram definidas estratégias de atuação conjunta futura, a saber:

  1. A recolha de dados estatísticos de cada país acerca de determinados aspetos da vida das escolas católicas que permitam traçar um quadro geral do contexto europeu do ensino católico.
  2. A partilha de boas práticas já implementadas nos contextos específicos.
  3. O desenvolvimento de linhas de ação comuns que possam ser adaptáveis ao contexto europeu.

Outro momento importante desta Assembleia Geral foi a partilha das respostas dos questionários dirigidos pelo CEEC aos países participantes sobre diversas dimensões que confluem para a caracterização do ensino católico europeu atual, a saber: a dimensão política (a liberdade da educação; as relações com o Estado; o financiamento das escolas católicas e outras); a dimensão demográfica (o decréscimo de alunos; a multiculturalidade; o secularismo da sociedade); as dimensões da inovação e da formação (formação de professores e boas práticas de inovação pedagógica).

No campo da inovação pedagógica e antropológica, a agenda contou com a apresentação do projeto IMANARE (Implicit Anthropology of Reforms in Education), um projeto europeu que investiga as assunções de humanidade por detrás das reformas educativas europeias.

A renovação espiritual do ensino foi outro dos eixos em destaque, tendo sido apresentado o programa Spiritus International (Spirit-led Renewal of Catholic Education), que procura dar resposta à formação de líderes católicos em diferentes países, inspirando novas abordagens na vivência escolar cristã e fortalecendo o papel dos jovens como evangelizadores.

O encontro serviu ainda como plataforma para a partilha de esforços globais, contando com a apresentação das atividades desenvolvidas pela OIEC (Office International de l’Enseignement Catholique) e da OIEL, uma organização não-governamental dedicada à defesa da liberdade de educação.

Foi ainda realizado um diagnóstico aprofundado, em segunda sessão, sobre o papel fundamental das escolas católicas no espaço europeu.

Susana Sousa

 

Nota à Comunicação Social: A presença da APEC neste fórum internacional reforça o compromisso de Portugal em alinhar as suas escolas com as melhores práticas europeias, garantindo uma resposta educativa atenta aos sinais dos tempos, sem perder a identidade e os valores cristãos que a caracterizam.

 

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